sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

São coisas assim

  Por livre e espontânea pressão resolvi atualizar meu blog. Tinha um tempo que realmente queria fazer isso, mas sempre esquecia o que  queria comentar sobre o cotidiano aqui. Outra que todo tempo que estou tendo livre, que seria antes e depois da aula eu uso para desenhar ou modelar no 3D. Quando não estou fazendo nada disso, dai provavelmente estou lavando a louça e a Julia esta usando meu PC, ainda só temos um cabo de Internet, então temos que ficar "meiando" ele, saindo meu salário eu vou comprar um roteador.

  Bom, respondendo o Mosqueira, não sei quanto tempo atrás seu amigo morou aqui, e nem se foi em Tokyo. Na minha opinião particular com base no que eu vejo aqui (que nem diria um bom japonês), isso varia muito. Os japoneses acham bacana o estilo de vida americano e tudo mais, mas o ser "Norte-Americano" eles não gostam muito não, mas afinal quem gosta deles. Acho que isso vai muito da situação, se tem um estrangeiro barulhento o pessoal fica incomodado, claro, não importa de onde ele seja. Comigo o pessoal acha muito mais interessante eu falar que sou brasileiro do que "estadunidense", alemão também pega bem.

  Isso nos leva a outro assunto, agora eu comecei a fechar a lanchonete, eu e o Alex, um francês. Nos divertimos bastante, da última vez estava tão movimentado que conseguimos jogar banco-imobiliário no Iphone dele. Mas pegando um gancho no assunto ali de cima. O chefe da lanchonte é super bacana, gentil e tudo mais, mas ele tem um pequeno problema, que ele cobra as coisas de você sem ter te explicado, então você tem que sair descobrindo por si próprio, o pior é quando ele da bronca por você ter feito algo errado que nem foi te explicado, que seja. Nos dias que fechamos eu fiquei encarregado do caixa, o que implica mexer na maquina registradora e conversar com os clientes, até ai tudo bem. Um pequeno porém, como a loja não vende muito, o chefe fica bolando ideias novas de coisas para vender e tal, o que acarreta no menu adicionar uma coisa, ou perder outra quase toda semana, anh detalhe, ninguém te fala o que mudou, ainda fácil demais? e se essas mudanças não forem colocadas na maquina registradora, bacana neh. Tendo isso em mente vamos para o meu segundo dia fechando a loja, no primeiro estava uma outra colega nossa, Ana, uma espanhola baixinha formada em escultura que já sabia muito bem mexer na registradora e me ajudou. O evento asseguir eu vou narrar que fica mais legal.

  Era uma noite fria de céu limpo, como geralmente tem sido nesse outono de Tokyo, Felipe jogava banco-imobiliário com Alex, o francês, atrás do balcão da "cozinha", se é que aquilo pode ser se chamado de cozinha. Nisso um jovem casal de japonês entra pela porta da loja, que até então estava fechada por conta do frio.

  Felipe como um cachorro treinado salda os clientes e se posiciona na frente da maquina registradora, sua arquinimiga de inúmeras batalhas. Os clientes começam a ponderar sobre o que pedir e resolvem ficar com dois "Phos"¹, um de frango e um de bife. Querendo algo para beber os clientes pedem também um adicional de bebidas, que acrescentaria mais 100 dinheiros no valor de cada Pho.

  Felipe rapidamente começa a procurar com seus olhos aonde naquele teclado da maquina estaria o botam para adicional de bebidas, tomando mais tempo do que o necessário e vendo que os clientes estavam ficando um pouco impacientes, ele resolve pressionar o botão outros. Sim isso seria uma solução muito boa - pensou Felipe -  eu só preciso digitar outros e 100, ou algo nesse estilo, só apertar esse botão... Felipe para em pavor quando se depara com a triste realidade o botão outros havia sido trocado pelo botão cerveja, nisso todos e mais alguns poros de seu corpo começam a soltar suor. Pensando rápido como um estilingue e vendo que os clientes estavam a ponto de sair da loja, ele resolve somar tudo na mão e pegar o dinheiro e depois se resolver com a registradora. Nesse momento o cliente macho pergunta:
  -Você é Americano?
Num tom de alivio e há te peguei trouxa Felipe responde:
-A não, eu sou Brasileiro.
Nisso a Cara do sujeito muda de uma certa raiva para certa decepção. Logo em seguida Felipe fala o valor para o cliente que paga a quantia exata.

¹Pho é uma espécie de Ramen vietnamita. Ramen é uma comida chinesa, que consiste de uma sopona a base de carnes, com um macarrão mergulhado dentro, alguns vegetais e carne de porco.

  Depois desse merda ai eu demorei mais uns 10 min para conseguir colocar o dinheiro dentro a registradora, o botão de outros estava escrito a mão jogado no meio dos outros. O bom é que depois dessa eu consegui fazer tudo certinho e nem fiquei mais tão nervoso, aliais amanhã eu fecho a loja denovo!

  Mudando super de assunto, depois de 4 meses eu consegui ir finalmente no banco trocar meu endereço e depositar 4 dólares e 100 euros que eu tenho/tinha. O mais engraçado foi que quando eu pedi para moça que queria depositar euros ela fez aquela cara de, vergonha, de quanto alguém peida no elevador. Eles não tem a maquininha para verificar notas de euro, que bacana, vou ter que esperar eu viajar para Europa pra poder usar então.

  No dia seguinte tentei mudar meu visto, tentei porque não consegui nem dar entrada no processo. Calma, antes que alguém tenha um treco, não foi nada grave. O que aconteceu foi que faltou alguns papéis e dai o sujeito lá não tinha como dar baixa no meu visto atual, eu preciso de um papel da escola falando que não vou estudar mais, para assim ele poder dar baixa, uma manhã descarga abaixo. Isso foi nessa última terça.

  Ao final da semana que vem minhas aulas devem acabar, dai é só alegria. No penúltimo dia de aula devemos ir num colégio aqui confraternizar com crianças de 12 anos, fazer algumas atividades e tudo mais. Eu fiquei sugeri "Tombo", não sei se alguém lembra como era, aliais se alguém lembrar me ajuda ai que eu não lembro nada quase, só que achava muito doido e que era tipo um Baseball de pobre.

  Bom eu tinha mais algumas coisas para escrever mas deixo para outra vez, beijos e abraços e comam queijo, você só vai saber que ele era importante quando não tiver mais para comer.